7.31.2007

Considerações acerca do orkut - parte II (acho)

Depois de um longo período ausente dessas linhas, cá estou eu novamente. Em época de inverno e com o frio intenso dos últimos dias, tenho preferido o aconchego do sofá quentinho a frieza do computador. Mesmo porque permaneço na mesma posição e junto ao equipamento cerca de oito horas ao dia; por esta razão, sobra pouca vontade de sentar-me aqui nas horas vagas.
Pois bem, deixei anotado aqui que, na próxima postagem, escreveria sobre minhas elucubrações a respeito do famigerado orkut, polêmico site de relacionamento, cuja existência já proporcionou, além de inúmeros reencontros, crimes e desavenças. Sua história - recente, tem no máximo dois anos e pouco - vai do "preciso-de-um-convite-para-fazer-parte-do-clubinho" ao orkuticídio, marketing vinculado e crescente desprestígio.
Penso que as pessoas cujos perfis encontram-se no orkut o mantêm por pura e espontânea vontade. Ninguém é obrigado a nada. Estar ali e disponibilizar certas informações é totalmente opcional. O vilão da história não é o site, mas a relação do usuário com ele, qual o tipo de uso a que irá servir.
Penso também que, quem faz uso do orkut está ali para ser visto. Sim, sim. Isso mesmo. A "mágica" que faz o orkut popular é simplesmente derivada da bisbilhotice alheia e da vaidade de poder "ser visto", ser notado. De poder ser encontrado, e, talvez, admirado, a partir das informações cuidadosamente selecionadas para estarem à luz das visitas ao respectivo perfil. É como escolher que aspectos se quer que os outros conheçam e associem ao usuário e quais serão ocultados. Mas o mais fascinante é poder estar sob os holofotes por instantes medíocres, de pessoas similarmente medíocres.
Assim sendo, considero patéticas as comunidades que usam títulos como "Tem alguém xeretando/olhando meu orkut" e "Ligue o foda-se e seja feliz". Francamente, eis o ápice das antíteses e da estupidez internauta. Quem faz uso do orkut, está ali - e tem total consciência disso - porque quer xeretar e ser xeretado. Depois, quem possui um perfil online é porque importa-se (e muito) com a opinião e com a vida alheia. Caso contrário, não estaria ali preocupado com o que expor e como fazê-lo. Escolhemos as melhores fotos; selecionamos os receptores e o tipo de mensagem iremos mandar; com o cuidado de quem sabe que todos os demais estarão observando e preocupa-se com as reações e possíveis desdobramentos de seu mísero ato. Quem busca comunicar-se com a fina e clássica privacidade e discrição opta por mensagens via e-mail. Aliás, discrição não combina muito com orkut.
Na outra mão, está a curiosidade alheia. Não simples, ingênua e inocente curiosidade. Não é isso que faz desse site o sucesso polêmico que é. Mas as paixões (no bom e no mau sentido) que pode despertar, as notícias a que se propõe a propagar, as brigas que estimula e o ódio virtual. É, além de tudo, uma máquina de recados diretos e indiretos.
É inegável o aspecto utilitário do site. O orkut é sim uma útil ferramenta, capaz de promover inúmeros reencontros e troca de informações com uma facilidade incrível, à medida que é possível encontrar comunidades compostas por milhares de pessoas vinculadas por um tema de interesse comum. Mas tudo depende do tipo de uso a que é submetido.
A revolução no âmbito das relações sociais e virtuais é inegável. Pena que uma ferramenta tão brilhante possa ser transformada em picadeiro e cenário criminoso. O destino do orkut ainda é incerto; o certo é que ainda tem vida longa, enquanto durar o voyerismo humano. Mas o mais certo ainda, é que outras invenções da mesma natureza virão. Em breve. Tão breve quanto a incessante obsolescência e reivenção dos PCs.