6.25.2006

"A luta da memória contra o esquecimento é a luta da memória contra o poder"


(Não lembro o autor)

6.18.2006

Na trave

Ao menos por um intervalo de pouco mais de duas horas, o nacionalismo surge urgente nos rostos e corpos brasileiros. A expectativa de ver a bola rolar faz surgirem bandeiras estreladas e tinge de verde e amarelo as vias públicas deste País, enquanto as pessoas correm alvoroçadas para não perder nenhum lance da partida da Copa do Mundo.
É extremamente complexo falar em nacionalismo ou patriotismo em um país com mais de 170 milhões de habitantes, de dimensoes continentais e população amplamente heterogênea. Tais manifestaçòes de "brasilidade" talvez se encaixem mais na classificação de um "patriotismo oportunista" do que nacionalismo.
Além da carga nazi-facista que o termo carrega, nacionalismo deriva de "nação". E nação pressupoe unidade. É difícil falar de unidade dentro de um país cuja população é demasiadamente diversa economica, social e etnicamente; num país onde há mais quatro ou cinco "brasis", totalmente distintos em costumes e crenças.
É fácil reconhecer um judeu ou um árabe em qualquer parte do mundo. Assim como os bolivianos, chineses ou alemães. Mas quando o assunto é o brasileiro, a dúvida impera. Há brasileiro europeu, brasileiro suíco, brasileiro africano, brasileiro dekassegui, brasileiro-baiano, brasileiro-sulista... além de culturais, as diferenças são físicas também.
Por tudo isso, num país de contradições, onde as novelas fazem questão de frisar a coexistência do borracheiro e do executivo na mesma vizinhança, o futebol torna-se um fator unificador. Enquanto a bola rola no gramados alemães, o Brasil se torna único, numa rede de milhões de rádios e televisores que vibram em uma só sintonia... E não é a magia do esporte, é a surpresa do futebol. Talvez, apenas os profisisonais da bola sejam capazes de afirmar e fazer o que a política ainda não conseguiu fazer.

6.11.2006

Eu nunca choro em casamentos

Sábado, um dia qualquer de junho. Dia do casamento da Patrícia e do Danilo. Passei o dia todo envolvida nisso, ainda mais quando se vaide carona com a família do noivo. Cerimônia pela manhã implica em acordar cedo, arrumar-se cedo, sair cedo e tentar sentir a diferença do clima de um casamento a luz do dia. É difícil até que seu cérebro entenda a razão de colocar um salto alto às dez da manhã e pisar na grama.

Em suma, devo dizer que este foi o mais belo dos casamentos aos quais já fui. Um dos poucos que realmente houve graça. Nada de igreja, cruzes, santos, antigüidades, trevas; nada disso. Ao contrário; sol, verde, brisa. No momento da cerimônia, pensei comigo que, se Deus realmente existe e estiver em algum lugar, não há melhor lugar para Ele esteja. Se é isso que buscam aqueles que fazem uma cerimônia religiosa de casamento. Afinal, no século XXI, "Deus é dez".

Mas muita coisa foi diferente neste casório, ao menos para mim. Ao começar pela proximidade dos noivos e de mais da metade das pessoas que se encontravam no altar. Foi profundamente emocionante; pessoas que eu conheço há mais de dez anos; ainda me lembro quando conheci a Paty e o Dan. A "irmã da minha amiga e o namorado dela". Todos nós com aquela cara de "That 70's show".

No momento em que vi o "tio" Antônio (que até hoje diz "Pam-Pam" quando me vê) abrindo a porta do Ksara preto que trouxera a noiva e a Paty descendo, lá do alto do sítio, tremendo e respirando ofegante, não me contive. Chorei... É emocinante ver grandes amigos chegando lá. A Mi e Lúcio, os últimos a deixarem o altar e cumprimentarem os noivos. A Mimis, que conheci no jazz. A dança deixou de ser algo em comum a nós duas,mas mantemos o elo. A Nana e o Pin, que eu viera a conhecer mais tarde. A "tia" Rosa; o Marcelo, a Verônica, o "tio" Pedro... Tudo aquilo era demasiadamente familiar e trazia uma grande bagagem de valores e lembranças.

Ao mesmo tempo em que éramos todos grandes, assumíamos novas responsabilidades e novos caminhos, éramos ainda pequenos; tremendo de frio, perguntando as coisas aos tios e tias e tentando zelar unspelos outros... são parte da minha família e da minha história.

6.04.2006

Just a mirror for the sun

A atividade da pós fica cada dia mais interessante. É certo também que o peso aumenta; que vai ficando também um pouco cansativo, mas mesmo assim não perde o encanto. Acho que minha sede de aprender é maior. As aulas de sábado, embora tenham maior carga horária, são as mais divertidas e interessantes. A turma toda tem um perfil homogêneo, em certo sentido, mas cheio de diversidade; chama a atençao, pois abriga desde um suíço até uma mulata vinda da Bahia. Há jornalistas, geógrafos, diplomatas... tem de tudo. Mas a impressào que eu tenho é que o perfil de quem procura a Puc é semelhante. Aliás, a instituiçao é muito mais a minha cara do que aquela em que cursei a minha graduçao. Se nunca me senti uma verdadeira "mackenzista" sinto que estou prestes a me considerar uma "Filha da Puc".
Bem, lá, há realmente o que discutir. A marca da margarina não é e nunca foi um problema. Ter aula com o Arbex (e com todo o resto do corpo docente) é simplesmente fenomenal. Quando eu "crescer", quero ser igual a ele. Ou melhor, a versão feminina dele. O cara é um poço de conhecimento e, ao mesmo tempo, um cara engraçadíssimo. Suas garagalhadas (in)oportunas traduzem toda a ironia de seu discurso quando o assunto é política. E não imaginem que ele é tipo fechadão ou carrancudo, nada disso. Passou as sete horas de aula fazendo "nhec-nhec" com a minha piranha (de cabelo!). E depois que guardei, ainda me pediu de volta.
Às vezes me pergunto se um dia chegarei lá. Me pergunto se estou tomando o caminho certo, se faço as melhores escolhas. Claro que nenhuma dessas questoes pode ser respondida agora, mas refletem minhas vontades e inseguranças... Bem, um dia depois do outro. A gente faz as apostas. E só sabe o resultado depois que corre a loteria.
É claro que cheguei em frangalhos ontem e só queria uma tonelada de chocolate e minha caminha. Mas todo o esforço vale pela satisfação.... As aulas têm preenchido um importante espaço na minha vida. De qualquer forma, é algo que eu a-do-ro, tanto pelo conteúdo, quanto por enxergar o sol que bate na avenida durante os intervalos e poder contemplar a iminente calmaria do sábado, mesmo de dentro de um furacão de idéias...

6.02.2006

Fim da linha

Eu já estou cansada de certas coisas e certos comportamentos. Se alguém tem algo a me dizer, que diga na cara. Muita coisa precisa mudar daqui pra frente.